Retificador e regulador de voltagem para moto ( DIY )

Regulador / Retificador de voltagem

Regulador / Retificador de voltagem

Brincando com elétrica/eletrônica ultimamente, por conta do amplificador que ja montei ( AX84.com – P1 ), to começando a entender um pouco. Ai hoje tive a curiosidade de pesquisar por “diy motorcycle voltage regulator” e encontrei uns circuitos. ( Pra quem não sabe, DIY é Do It Yourself ). O funcionamento do treco é até simples.

A parte de retificação, que é só transformar corrente alternada em contínua, é a mais tranquila, e inclusive o amplificador q montei tem um retificador. A diferença é que o  alternador da moto é trifásico ( o que, inclusive, é uma informação nova pra mim e  muito interessante ! ). Mas a grande novidade foi o circuito do regulador.

Seguem ai os links com uns circuitos:

Esse tem uma explicação muito completa do circuito:
http://mastercircuits.blogspot.com.br/2010/05/motorcycle-voltage-regulator.html

Discussão em um forum, de um cara que construiu a parada, com o mesmo circuito anterior:
http://motorcyclephilippines.com/forums/showthread.php?t=139779

Mais uma discussão num forum, de um outro circuito um pouco diferente, e com informações detalhadas:
http://www.apriliaforum.com/forums/showthread.php?185971-Simple-and-crude-DIY-regulator

Certamente que muitos retificadores de fabrica, especialmente de motos mais antigas, são parecidos com esses.

As informações mais interessantes que derivei do circuito e dos textos: esses reguladores são do tipo “shunting”, ou “aterrador”, pois ele joga para o terra a energia excessiva gerada pelo alternador. E os das nossas motos deve ser assim também, pois a alternativa de aterrar seria abrir o circuito, e o gerador é um indutor e quando você abre o circuito de um indutor ele tende a aumentar a tensão para tentar manter a corrente, o que geraria picos que podem danificar tudo. E disso deriva uma consequencia prática: Quanto maior a carga, ou seja, quanto maior o número de lâmpadas e outros “consumidores” de energia ligados, menor é a energia que o regulador tem que aterrar, ou “dissipar” através de seus componentes que o ligam ao terra. Ou seja, menos o regulador deve esquentar, menos ele “trabalha”. Por outro lado, quanto maior a rotaçao do motor, maior a voltagem gerada pelo alternador, e maior é a energia que ele tem que dissipar. E se a carga ( os acessórios, lâmpadas ) for grande o suficiente para levar a dissipação do regulador a zero, a tensão cai abaixo da tensão da bateria, que passa a descarregar para manter o circuito ligado, e ai, bau bau bateria.

No último link tem mais uma informação interessante, que vale pros circuitos dos três links: assim que você desliga a chave da moto, a “referência” de voltagem do regulador, que é aquele ponto “To Switched Batt + ( Ign Sw. )”, é cortado, e o regulador para de “aterrar” a energia extra. Mas se a moto ta ligada, em alta rotação, antes de o motor parar, ele ainda roda um bocado, ainda mais se a moto estiver em movimento, numa descida por exemplo. E nesse meio tempo, toda a voltagem gerada pelo alternador é “apresentada” ao circuito da moto.

Sabe-se la se os nossos reguladores têm proteção contra isso…

Editado em 2014/05/27: Tem sim ! O Christian Klim Faria disse nos comentários que “nossas motos não pegam referencia da chave e sim diretamente da bateria, por esse motivo que a tensão não é passada para a moto no caso de desligamento com o motor rodando”. Ótimo saber isso ! Vou manter a informação aqui pois é relevante no caso dos projetos acima.

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AX84 P1 e gabinete 2×12 para guitarra – parte 2

Ha muito tempo eu não passava um um feriado prolongado desses em casa. Os projetos andaram bastante, e a caixa esta praticamente pronta.

Depois do ultimo post, passei na caixa uma demão de seladora, diluida em Thinner conforme as instruções no rótulo, e comecei a aplicar o verniz, com 12 horas de intervalo entre cada uma das três demãos.

Mais uma demão de verniz

Secando entre demãos de verniz. Acho que essa ai era a ultima.

Neste meio tempo chegou a encomenda com os ultimos componentes necessários para a montagem do P1, e o tecido ortofônico para a caixa, que inclusive é mais bonito do que o que da pra ver pelo site !

Verniz

Verniz

Não da pra ver muito bem na foto acima, mas o verniz deixou a madeira bem brilhante, uma cor meio dourada. O tecido, que pelo site achei que era meio preto, é na verdade um marrom, daqueles tipo de vitrola da vovó, com uns fios dourados. Vai ficar com cara de coisa velha. Bacana.

Em uma volta pelo centro comprei uns pezinhos, cantoneiras e alças para a caixa. Mas chegando em casa reparei no erro. As cantoneiras tinham as três pernais igualmente grandes, e para a frente e a traseira da caixa, impediriam a facil colocação/remoção da tampa traseira e do tecido/moldura, que não são colados para possibilitar a manutenção na caixa e nos falantes no futuro.

Cantoneiras precisam ser adaptadas

As cantoneiras precisam ser cortadas para não impedir a colocação do fundo e frente ( moldura/tecido )

Mas nada que serra, furadeira e força não resolvam.

Cortando cantoneiras

Cortando cantoneiras

Em alguns minutos ja tinha cortado e furado as 8 cantoneiras.

Cantoneira adaptada

Cantoneira adaptada

Ficaram só as duas quinas vivas do ponto onde cortei, que eu deixei para arredondar no esmeril no dia seguinte. Mas deu preguiça de ligar esmeril e fazer sujeira, e acabei tendo uma ideia até melhor, dobrando as duas levemente para dentro, de maneira que elas finquem na madeira, ajudando na fixação e não machucando quem esbarrar na caixa.

O dia seguinte começou com os primeiros esboços do chassi do amplificador. Chassi esse feito a partir de uma forma de bolo !

Estudando o posicionamento dos trafos

Estudando o posicionamento dos trafos

O começo é marcar no chassi todos os furos, ja imaginando toda a disposição dos componentes.

Desta vez até arrumei um compasso de verdade

Desta vez até arrumei um compasso de verdade

Depois é marcar cada um dos furos ( para isso uso um prego e martelo mesmo, só dando uma batida leve para fazer um  “calinho”, pra broca não “correr” quando for começar o furo ), e furar.

E o que era uma forma de bolo...

E o que era uma forma de bolo…

Pelo fato de estar usando uma forma, eh, um chassi menor que o do projeto no AX84, usando pontes de terminais ao invés das “turret boards” que os gringos usam, e por pura invenção de moda, alterei o posicionamento de alguns dos componentes do projeto original, mas claro que mantendo o mesmo circuito. Pra começar ja montei o transformador de potência do lado errado e tive que furar tudo denovo, mas ta valendo, é o conhecimento adentrando.

Começa a tomar forma de aparelho eletronico

… começa a tomar forma de aparelho eletronico. Ou não.

Montados os primeiros switches e jacks voltei para a caixa, que ja tinha dado 12 horas depois da ultima demão ( que passei quase uma da manhã, tonto, depois de voltar de buteco, só pra agilizar o dia seguinte… tem base ? ).

Mascarando para pintura da frente

Mascarando para pintura da frente

Li um relato de um sujeito construindo uma caixa para guitarra em que o cara deixou a frente na cor natural, assim como a caixa, mas depois de colocado o tecido ortofonico, escuro, ainda via-se claramente o contorno dos falantes, e o cara acabou pintando a frente de preto depois. Menos uma que eu preciso errar pra aprender.

Pintando a frente

Pintando a frente

Com tudo devidamente protegido com exemplares da Folha Universal ( tem uma Universal no meu quarteirão, que distribui toda semana pro bairro inteiro. Eu até gosto, uso pra tudo, menos ler ), pintei a frente e a parte da armação/moldura do tecido que vai ficar virada pra frente.

Instalando os pezinhos

Instalando os pezinhos

Com a tinta ja seca ao toque ( essas tintas em spray são bem rápidas ) fui montar os “acessórios”. Coloquei pezinhos em dois lados, pra que ela fique sobre eles tanto deitada quanto em pé. Como arruelas dos parafusos dos pés dentro da caixa usei os pedaços que cortei das cantoneiras.

Parafusando as cantoneiras

Parafusando as cantoneiras

Dos pés passei para as cantoneiras, e dessas para a instalação dos falantes, usando as tais porcas-garra, conhecidas em fóruns gringos como T-nuts. Custei mas encontrei ( para quem é de BH e região, em uma daquelas lojas ali perto da Mato Grosso com Tupis ) essas porcas nas medidas que eu precisava ( 3/16′ ).

Colocando as porcas-garra

Colocando as porcas-garra

Coloca o falante, marca os furos, fura, instala as porcas, coloca o falante e sai parafusando usando a furadeira como parafusadeira como se fosse a roda do Schumacher no pit-stop da Ferrari. E isso depois de umas 10 horas ralando sem almoçar, naquela penumbra das 18:00 às 19:00, que mesmo com as luzes ja acesas não da pra ver porra nenhuma… O resultado é esse ai…

O falante novinho...

O falante novinho…

O falante americano, e que veio la da alemanha, custou os olhos da cara e um pedaço do rim, furado numa escapulida de furadeira, por causa de fome, sede e cansaço, que levam à pressa e a falhas. Tai uma lição que volta e meia eu retomo…

Mas não adianta chorar. Botei ali um pedaço de fita e vamo ve até quando ela segura, ou se atrapalha o som ( vai dar pra comparar os dois falantes ).

Grampeando tecido ortofônico na moldura

Grampeando tecido ortofônico na moldura

Depois de comer meia pizza queimada e descansar uma meia hora o animo voltou e eu voltei a acertar também. Nunca tinha usado um grampeador em madeira antes, e a colocação do tecido na moldura ficou muito boa. Um desvio de decimos de milímetro evidenciado pelas linhas douradas do tecido, mas para uma primeira vez esta ótimo.

Cortando cantoneira para fazer painel

Cortando cantoneira para fazer painel

Vou adicionar um pequeno painel à caixa, acessível através da traseira, com três jacks P10 e dois switches. O primeiro switch vai selecionar entre os modos mono e stereo. No modo stereo, os dois primeiros jacks correspondem às entradas de cada alto-falante, de 8 Ohms cada. No modo mono, os dois falantes são ligados simultaneamente, através do terceiro jack, e o segundo switch seleciona entre ligaçao em série ou em paralelo, onde se obtem 16 e 4 Ohms, respectivamente.

Painel da caixa, colocado

Painel da caixa, colocado

Até este momento não havia decidido se o painel ficaria voltado para cima ou para baixo, no fundo da caixa. Resolvi escolher um lado aleatório da tampa traseira e instala-lo. Como o painel só encaixa com facilidade de um dos lados, o que for, será !

Detalhe do painel da caixa

Detalhe do painel da caixa

Quase 23:00, nenhum sono e muito pra fazer. A caixa praticamente pronta, faltando a fiação e decidir como fixar a moldura/tecido na caixa. Ja o amp…

A oficina de eletronica

A “oficina” de eletronica

Nisso se vão mais quatro horas, de solda, corta fio, passa fio, queima a mão…

A tralha da eletronica

A tralha da eletronica

E a forma de bolo, dos avessos, ja exibe as entranhas elétricas, que se tudo der certo vão fazer muito barulho.

Fim do dia, P1 pela metade

Fim do dia, P1 pela metade

E neste estado está. Longe da organização das montagens da galera do AX84, a macarronada vai se formando. Até estou usando fios blindados em partes críticas, e tendo algum cuidado com posicionamento e aterramento, mas não espero um amp livre de ruido, os famosos Hum e Hiss. Só espero que seja um tanto que de pra conviver.

 

AX84 P1 e gabinete 2×12 para guitarra

Vamos ver quantas “side quests” eu termino, ao longo do “projeto Ténéré-i”…

Ha uns meses voltei a tocar um rock n’ roll descompromissado com mais dois amigos. Um power trio ainda sem nome oficial, arranhando um The Who, Free, Cream, e mais qualquer coisa que a gente goste.

Com isso voltaram os sintomas da sindrome que o pessoal do forum do Cifra Club costuma chamar de G.A.S. ( Gear Acquisition Syndrome ). Algumas horas nos sites da VOX, Gibson, Epiphone, mercado livre, ebay, conferindo a cotação do dolar, calculando imposto… Até começarem a aparecer os sintomas da G.B.S ( Gear Building Syndrome ), e minhas buscas passarem para esquemas de amplificadores valvulados. E nesse caminho cheguei até o AX84.com

O AX84.com é uma comunidade com o objetivo de desenvolver projetos livres de amplificadores valvulados. O mais famoso deles é o Hi-Octane, que foi “traduzido” pela comunidade do Handmades , e tem muito material em portugês disponível na net.

Mas eu resolvi montar o projeto P1, que me pareceu mais simples, e é um amplificador com menos ganho na pre-amplificação que o Hi-Octane, que, acredito eu, é mais próximo do som que eu gosto.

Encomendei os componentes na Mult-Comercial e Altana Tubes. No primeiro pedido da Mult-Comercial me enviaram a valvula errada, uma EL34 ao invés de uma EL84, e não responderam meus e-mails pedindo a troca. Ainda bem que a EL34 é mais cara que a EL84 e é só eu cortar ela no cobre. Por isso fiz o pedido na Altana Tubes – vai que a Mult-Comercial me manda errado denovo.

Os transformadores pedi na Digi-Key, e fiquei impressionado: em três dias eles estavam sendo entregues na porta da minha casa, com o imposto sendo pago ao próprio entregador da FedEx.

Para montagem do amplificador ainda estou aguardando alguns componentes de um segundo pedido na Mult-Comercial, que estavam em falta antes.

Além do amplificador, alto-falantes de qualidade fazem muita diferença no som. Com a intenção de montar uma boa caixa, encomendei uns alto-falantes na Musical Thomann, uma monstruosa loja alemã de artigos musicais, que oferece um valor interessante de frete: 40 euros, fixo, para todo o Brasil, via DHL, independente do tamanho/peso do produto. No caso de dois alto-falantes de 12”, é um valor bastante interessante.

Ah, e sobre o “monstruosa”, fui dando uma olhada no site da loja, pra conhecer um pouco mais de onde estava comprando… Vendo aqui, a loja, uma empresa familiar,  é do tamanho de uma pequena cidade praticamente. Alemão não sabe brincar.

Falantes Eminence Legend GB128

Falantes Eminence Legend GB128

Bom, com os falantes em mão ( dois Eminence Legend GB128, acima ), hora de projetar a caixa.

Depois de ler diversos fóruns sobre contrução de caixas para guitarra, aprendi bastante. Basicamente existem dois designs basicos: com a traseira aberta e fechada. Caixas de traseira aberta são mais simples de construir pois suas dimensões afetam menos o som final, e as dimensões dos modelos de mercado são definidas mais em função de outros parâmetros que o som propriamente dito, como por exemplo o tamanho das peças de material disponíveis, o preço, transporte, e o acondicionamento de outros componentes, como o próprio amplificador no caso de um combo. Exemplos deste design são a enorme maioria dos combos Fender e VOX.

A outra opção seriam as caixas de traseira fechada, seladas, em os falantes trabalham com a resistência do ar contido no interior da caixa. Neste caso as dimensões da caixa são muito mais determinantes no som final, e equações complicadas estão envolvidas no cálculo dos parâmetros da caixa. Apesar de ler isto em todos os lugares, em todos eles li a mesma historia, de que as famosas caixas 4×12 Marshall, praticamente sinonimos de som de guitarra e Rock n’ Roll, foram projetadas com as menores dimensões que comportavam os falantes de 12”, sem o menor rigor de calculos complicados. Mas de todo jeito, os caras tinham recursos pra refazer mil vezes se o som ficasse ruim. Eu só to afim de fazer uma vez. Traseira aberta será.

Ja no quesito materiais, ai é que as opções aumentam mesmo. Muitos dos gabinetes industriais são de aglomerado, que é ruim de trabalhar manualmente e tem uma resistência ainda pior. Simplesmente se desfaz com umidade. Bons gabinetes industriais, como os Marshall, e muitos handmades são feitos de compensado. É um material resistente, barato, e fácil de trabalhar. Mas ha compensados e compensados. Os facilmente encontrados por aqui são feitos com cola PVA, por isso são sensíveis a umidade, e são cheios de espaços vazios internamente. Em fóruns gringos o pessoal fala muito do tal compensado naval, que é feito com cola fenólica e uma madeira sinistra, que resiste à umidade. Mas sei lá onde se encontra desse trem, e não deve ser barato.

Ainda temos as madeiras. Os antigos Fender eram de Pinheiro ( Pine ), que são na verdade todo um gênero de plantas, o genero Pinus. Algumas espécies de Pinus, como a Pinus Elliottii, são, junto com o eucalipto, as madeiras mais cultivadas do brasil, usadas pra tudo, desde palito de dente a móveis, e são facilmente encontradas nos mais diversos formatos.

Paineis de pinus

Paineis de pinus

Encontrei estes paineis de pinus, que são muito leves, fáceis de trabalhar, e baratos. Paineis são feitos juntando várias peças menores de uma unica madeira, encaixados e colados perfeitamente em processos industriais. Peças inteiriças seriam muito mais caras. Além disso estes paineis ja tem um nível avançado de acabamento, são muito lisos e planos, facilitando muito o trabalho de amadores como eu.

Os materias ajudaram a definir o desenho. A caixa tem 25cm de profundidade, pois essa é a largura da madeira disponível. Maior que isso era de 30cm, que acho desnecessário e adicionaria muito mais peso. Serão também 80cm de largura e 40cm de altura, valores “redondos” e que acomodam com folga os dois falantes, de 31cm de diametro e 14cm de profundidade cada um. As laterais da caixa ( cima, baixo e os dois lados ) têm 22mm de espessura, enquanto a frente ( front baffle ) e traseira têm 12mm. Os reforços internos, também de pinus, têm 20x20mm de perfil.

Contas feitas, hora do trabalho de verdade.

Cortando laterais

Cortando laterais

Como esperado, este método meu para cortes retos usando uma guia não funcionou tão bem. Apesar de ser melhor que a mão livre, a serra ainda assim entortava e ficou tudo meio torto no final. O ideal seria, claro, uma serra circular, de mesa.

Laterais colando

Laterais colando

O primeiro passo foi montar os reforços nas laterais.

Montando as laterais

Montando as laterais - um elástico de amarrar bagagem na moto, pra ajudar a segurar tudo no lugar.

Depois foi montar as laterais, fazendo a tal “butt-joint”, que nada mais é que a junta mais simples possível. Os gringos falam muito nos fóruns sobre as “finger-joint”s, que são aquelas juntas fodas, parecendo dedos entrelaçados, e que os gabinetes industrializados usam. Mas pra ficar legal é preciso equipamento especial, como uma tupia e os padrões para cortar as peças. Mas essa junta simples, com os devidos reforços, e sem economia de cola e parafuso, é mais que suficiente.

Ah, e resolvi colocar os parafusos todos pra fora, pra ficar tosco mesmo. Daria pra colocar tudo por dentro, pra ficar bunitim, mas seria uma bosta pra parafusar os dos cantos.

Laterais coladas - Hora da contemplação e recompensa

Laterais coladas - Hora da contemplação e recompensa

Com as laterais coladas a caixa começa a tomar forma. Depois disso foi colocar todos os reforços internos, em cada uma das bordas, onde serão fixados a frente e o fundo.

Com a micro-retífica, usando uma fresa, fiz um acabamento arredondado de leve, nas bordas da caixa.

Acabamento arredondado

Acabamento arredondado

Normalmente se usa um acabamento arredondado bem maior ( ângulo menor ? ), mais arredondado mesmo. Mas este foi o maior que encontrei para micro-retífica. Mais que isso só para tupia mesmo, e não acho que vale à pena investir em uma tupia para isso. Este arredondado ai eu também acho que conseguiria fazer só na lixa, mas daria muito mais trabalho pra fazer na caixa toda. Com a micro-retífica foi muito tranquilo, até divertido.

Fim do primeiro dia

Fim do primeiro dia

No fim deste primeiro dia ainda cortei a frente ( baffle ) onde os falantes serão fixados, e montei uma “grade”, que esta ai encaixada na frente da caixa, que vai servir de armação para o tercido ortofônico, que ainda não chegou, e que vai dar um acabamento, protegendo os falantes.

Esse dia comecei a cortar as primeiras tábuas às 07:30. Joguei bola das 12:00 às 13:00, e voltei à caixa. Às 01:00 da manhã eu ainda estava varrendo o pó de madeira e recolhendo as ferramentas, tomei uma Strong Golden Ale que foi como uma paulada na nuca. Depois dela foi só banho e cama…

No outro dia era hora dos cortes mais difíceis, circulares. Pra começar uma boa ideia na hora de marcar os cortes na madeira:

Compasso

Compasso

Um pedaço de aluminio que tinha sido um pincel de cola no dia anterior, virou um compasso de raio fixo.

Fundo marcado

Fundo marcado

A marcação ficou perfeita, pena que o corte ficou uma bosta. Mas o torto ja virou minha assinatura, é o “charme” da parada.

Conferindo as marcas da frente

Conferindo as marcas da frente com os falantes

Pra marcar a frente tive que fabricar outro compasso de raio fixo, desta vez com um pedaço de pote de sorvete. Boa hora para conferir as medidas com os falantes, antes de cortar.

Cortando buracos dos falantes

Cortando buracos dos falantes

Com frente e fundo cortados, falta só o acabamento, e colar a frente. Fundo e o tecido/moldura são só parafusados. Minha ideia é lixar a caixa e passar apenas um verniz por fora, deixando madeira/parafusos à mostra. Por dentro não faço questão de pintura nenhuma, mas queria usar alguma coisa que fornecesse alguma proteção contra cupins/brocas. E a frente, que ficará tampada pelo tecido, talvez eu deva pintar de preto para não aparecer o contorno dos falantes na frente, mas estou esperando o tecido chegar para montar na moldura e testar.

O resultado no momento é esse:

Traseira

Traseira

Frante

Frente

Ta tudo meio torto e cheio de frestas, um pouco porque a frente, moldura e fundo estão soltos, só equilibrados/encaixados, e muito porque ta tudo torto mesmo. Mas é assim mesmo que eu quis, desde o início 🙂

Retrovisor da XT660 R/Z/X – Ferramenta e Gambiarra

Desde as primeiras viagens com a XT660R que o retrovisor dela me incomodava. Acima de 120km/h, qualquer buraquinho, ou até em velocidades menores em estradas piores, o retrovisor tende a virar pra trás, “fechando”. E em uma moto que vibra muito, e anda tanto quanto, isso é quase toda hora. O negócio é um sistema revolucionário que a Yamaha inventou só pra aporrinhar seus consumidores, e que eu tento explicar nesse desenho:

Retrovisor Yamaha XT660

Explica-lho-vos-ei ! O “sol” à esquerda é o espelho. “D” é a rosca que parafusa no manicoto, que no caso do retrovisor direito, é invertida. “C” é uma contraporca, como na maioria dos retrovisores do mundo, e funciona muito bem em manter a peça inferior bem presa. O problema é a peça de cima, esse “cachimbo” onde o retrovisor propriamente dito é preso. Ele se prende ao “cone” de baixo por uma porca “B” que pressiona uma mola. Por padrão o aperto da porca sobre a mola não é suficiente para manter o retrovisor no lugar nas situações que eu descrevi acima.

E pra apertar a tal porca, que tem 10mm, você precisa de uma ferramenta que tenha, no máximo, 13mm de diâmetro externo, que é o diametro “A” desse tubinho. E vai encontrar uma chave desse jeito ai…

Na viagem pro Peru, na saida até o Acre, paramos em todas as concessionárias Yamaha no caminho, e nenhuma tinha essa ferramenta fornecida pela Yamaha. Só uma, se não me engano em Vilhena-RO, tinha uma chave que eles mesmos mandaram um torneiro usinar para chegar nos 13mm. Um leve aperto melhorou por um tempo, mas o problema voltou em situações mais extremas.

Então, decidi fazer uma chave dessas, na base do esmeril mesmo. Com uma chave L como vitima eu tinha duas tentativas, e eu precisei. Na primeira passei do ponto e a chave quebrou, mas a segunda foi com mais cuidado e o resultado é esse ai:

Chave 10mm esmerilhada

Chave 10mm esmerilhada

Detalhe chave esmerilhada

Detalhe chave esmerilhada

O resultado foi uma chave tão boa, mas tão boa, que quebrou o parafuso do suporte:

Peça Quebrada

Peça Quebrada

Mas ai, eu ja estava trocando o retrovisor quebrado por um novo, foi só tirar a peça do antigo e…

Retrovisores quebrados

Retrovisores quebrados

quebrar ela também. Ai, o negócio ficou mais interessante. Duvido que a yamaha venda só essa parte do retrovisor, que completo custa umas 50 pratas. Mas como sobrou uma parte com rosca no parafuso quebrado, é só trocar a mola por alguma coisa menor, e boa. Parti para a borracha, e acho que vai ficar mais bem preso que a mola original.

Borracha quadrada

Borracha quadrada

A “usinagem” da borracha, pra ficar no formato e tamanho certos, foi na base da furadeira e esmeril. A borracha furada, presa com um parafuso, preso em uma furadeira. Com a furadeira girando no sentido contrário ao do esmeril, em alguns minutos ela chegou no tamanho ideal ( 13mm ). Eu achei que ia ficar pior:

Borracha redonda

Borracha redonda

Ai foi só cortar no comprimento certo, montar as peças…

Montando

Montando

colocar a porca e descer o braço. Acho que ficou firme o suficiente. Detalhe, na foto acima, do espaço onde a ferramenta tem que entrar.

Final

Final

Incursões na marcenaria – Suportes para guitarra/violão

Como ja ta dando pra perceber pelo ritmo dos posts, eu faço um monte de outras coisas e normalmente me perco entre elas fazendo nada e não termino nenhuma. Mas no ultimo fim de semana resolvi dar andamento a um trem que eu comecei ha quase um ano, e ficou enconstado desde então.

São uns suportes pra prender guitarra e violão na parede, tipo aqueles que normalmente se ve nas lojas de instrumento ( lembrei da “parede cor de guitarra” do Uílame na loja de instrumentos). Eu ja tinha montado os suportes ha muito tempo, e ficou faltando cortar o encaixe para o braço do instrumento, e fazer o acabamento, lixando e envernizando.

Os suportes são em formato de “L” de cabeça pra baixo, com um corte em forma de “U” na parte de cima, por onde passa o braço do instrumento, e se apoia a cabeça do braço. O ângulo do “L” é ligeiramente diferente de 90 graus, de forma que a gravidade faça com que o instrumento escorregue pra dentro do “U”, e se mantenha preso.

Nas laterais, duas peças triangulares fortalecem o “L”. Da pra ter uma ideia na figura abaixo:

Cortando o encaixe do braço

Cortando o encaixe do braço com uma serra copo

Usei uma prancha de eucalipto mesmo, que é barato, fácil de trabalhar ( macio ), e é uma árvore cultivada, não leva cinquenta anos pra nascer denovo. Não sei se com o tempo ele vai ressecar, entortar e enxer de cupim. Nesse ano que ficou jogado debaixo da bancada ele resistiu bem.

A bosta da serra copo

A bosta da serra copo

Ah, pra cortar os encaixes do braço usei um desses kits de serra copo Made in China para furadeira. No fim das contas até funcionou, mas o problema é que o que segura a broca, que é onde a furadeira se liga à serra, no suporte da serra em si, é essa merda de parafuso allen na foto ai em cima, que não é nem 2 nem 3mm. Achei uma chave sem identificação na caixa de ferramentas que deu pra apertar o bicho, mas a 3mm era muito e a 2mm era pouco. Essa deve ser em polegadas. E não importa o quanto eu aperte o parafuso, quando começar a cortar a madeira, ele afrouxa e a serra fica completamente instável, torcendo e prendendo na madeira.

Lixando

"Lixando"

E se tem um negócio “legal”, é lixar ! Tanto que eu nunca terminei de lixar nada na vida. Lembro que uma vez inventei de pintar uma bicicleta, comecei a lixar, e depois de uma meia hora mandei tinta em cima da outra tinta mesmo. E com madeira sempre foi pior. Dessa vez usei uma “massa” de cola com pó de madeira para preencher as gretas nas junções das peças de madeira, que existiam porque cortei o trem todo torto, lógico ! E essa massa ficou meio escura, toda suja, provavelmente porque não lavei as mãos para passa-la, com os dedos, nos cantos da peça. Jurei que, depois de seco, ia lixar bem pra ficar com uma aparência profissional, ja que isso vai ser mobília da minha sala…

Bem capaz !

Detalhe

Detalhe do encosto do braço

Só me esforcei mais na lixa no ponto onde a cabeça do braço da guitarra vai apoiar no suporte, pra evitar que eles se estraguem.

Envernizando

Envernizando

A foto é de depois da primeira demão. No momento a segunda ja deve estar seca, e não sei se vou ter saco pra dar a terceira. O verniz escondeu algumas imperfeições, e destacou outras. Depois de pregadas no alto da parede, tomara que a distância esconda o resto 🙂

Depois de prontos e instalados eu posto uma foto.